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Ansiedade – Em que medida?

Amanhã tenho uma entrevista de emprego – estou ansioso. Hoje à tarde farei o teste prático de direção, estou ansioso. Esta semana vou fazer a prova da matéria mais difícil, que ansiedade! Frases como estas, que ouvimos com frequência em nosso cotidiano, referem-se normalmente a doses de ansiedade ditas “positivas”, pois nos permite ficar alertas em algumas situações particulares. Isto é, a ansiedade, também é um sentimento bom e importante para a vida.

ansiedade

É comum durante um processo terapêutico, constatarmos que em muitas ocasiões diversos outros sentimentos podem ser confundidos com ansiedade. Tristeza, medo, vergonha, frustração, entre outros, costumam ser colocadas no “mesmo pacote” de nome ansiedade. O pacote ansiedade, quando não aberto, separado, e identificado devidamente, pode ficar em alguns momentos tão grande, a ponto de gerar confusão, e uma pessoa pode manifestá-los através de outros comportamentos como: comer demasiadamente, roer unhas, apresentar insatisfação na vida pessoal ou profissional, ficar irritado, brigar com as pessoas com muita facilidade, afetando dessa forma, dependendo de cada situação, a vida em suas esferas emocional, conjugal, social e/ou profissional.

Alguns indivíduos desenvolvem desordens emocionais relacionadas à ansiedade, como a síndrome do pânico, que é uma forma de manifestação patológica da ansiedade. Os episódios de pânico ocorrem abruptamente, e, em questão de minutos a pessoa sente os sintomas fisicamente: taquicardia, sudorese, falta de ar, são as principais manifestações, dentre outras. Tais manifestações corporais, na grande maioria das vezes, ocorrem juntamente com a sensação de morte iminente, a pessoa pensa e sente que irá morrer. O atendimento é feito emergencialmente em um hospital, onde não se encontram causas biológicas. Quando os episódios tornam a se repetir é que se levanta a hipótese de pânico, pelo fato de não se constatar nenhuma explicação biológica para os sintomas apresentados. Após as primeiras crises, com frequência, o indivíduo sente-se inseguro e sofre a espera da próxima crise. Em algumas situações o impacto na vida social e/ou profissional pode ser tão grande a ponto da pessoa não querer sair mais de casa. A culpa consiste em outro sentimento que costuma acompanhar as pessoas com quadros de pânico, por não se sentirem capazes “de serem mais fortes que as crises” ou “incomodar todos a sua volta” ou ainda “serem fracos”.

Da mesma forma que a administração de um medicamento precisa ser feita na dose correta, nem tão pouco que não se apresentem seus efeitos, nem demasiadamente a ponto de trazer as consequências do seu excesso, a ansiedade também, dependendo da medida em que se apresenta, é que se pode verificar e avaliar o quanto positivamente ela pode se manifestar, ou o quanto pode trazer consequências negativas na vida de forma geral. Através da terapia, é possível que o indivíduo passe a identificar com mais precisão o que sente, acarretando num manejo melhor das suas emoções e consequentemente de como lidar com a vida e suas relações. É possível também aprender a lidar com o sentimento de ansiedade, minimizando os impactos negativos deste sentimento na vida. Os episódios de pânico também podem ser tratados em terapia de forma que a pessoa consiga identificar o que está sentindo e conseguir evitá-los. Quem sente ansiedade, precisa aprender a se pressionar menos e a se acolher mais. A ansiedade precisa ser acolhida.