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Criança Não Tem Que Querer

Sempre me apertou o coração ouvir esta frase, imaginava uma criança chorando, encolhida, sem a mínima condição de sequer expor uma vontade, desejo, gosto ou desgosto. Sem espaço para desenvolver sua individualidade.

pai

Mas, a medida, que fui estudando sobre crianças, trabalhando e conhecendo-as, foi possível entender que esta frase diz muito sobre elas, as crianças.
Quando nascem, os bebês expressam seus primeiros desconfortos de fome e sono através do choro, e seus pais ou cuidadores os atendem às suas próprias maneiras. E, conforme crescem, o mundo vai sendo-lhe apresentado conforme seus pais o vêem, o que é feio, o que é bonito, o que é legal, e dessa forma, vai aprendendo a querer à sua maneira, gradativamente, vai conseguindo “querer” do seu jeitinho. Por exemplo, uma criança pode querer surfar, porque na sua forma já cedo de ver o mundo, acha legal. Já uma outra criança, não se interessa por tal prática, não quer surfar, diz ser perigoso o mar.
Uma criança muito pequena, não é capaz de fazer uma escolha entre muitas opções sozinha, nas prateleiras de um supermercado, por exemplo, dentre tantas opções, ela não sabe o que é bom pra ela, é preciso e necessário um adulto para direcioná-la. Cena clássica: quem já viu uma criança chorando, suada e cansada já de tanto chorar, quando alguém lhe pergunta: o que você quer? E então, o choro passa do intenso, para o descontrole total, porque realmente esta criança, não sabe o que quer, não possui maturidade emocional para identificar o que precisa.
Mais adequado é oferecer duas ou três opções de lanche, para uma criança de 4 anos, e não um cardápio completo. Certamente, se apresentarmos todas as opções disponíveis, ela ficará indo e vindo e não conseguirá fazê-lo, podendo por vezes sentir-se incomodada, irritada com a situação. A criança precisa aprender a querer, saber como fazer uma escolha, entender o que é bom para ela, e conta com seus pais na tarefa de ensiná-la. A partir do momento que nasce, o bebê irá desenvolver gradualmente o seu “querer” com as vivências e experiências dentro da sua família e das trocas nos contextos sociais e afetivos que está inserido.

Que esta frase não seja entendida, como uma negação ao espaço e desejos da criança, mas um espaço de querer compartilhado com os pais, respeitado por estes, até que a criança seja capaz de querer com suas próprias pernas, cabeça e coração.