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A Depressão Não é Uma Escolha de vida, ela acontece

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                Seu corpo sente-se prostrado e você não sente ânimo para atividades que antes eram simples, faziam parte da sua rotina, e eram até mesmo prazerosas. Parece que a energia do seu corpo foi sugada. Você percebe que seu pensamento está mais lento, com aquela sensação de “não consigo raciocinar direito”. Problemas pequenos do cotidiano como o ônibus ter atrasado ou o liquidificador queimado podem parecer insolúveis e muito atormentadores para um indivíduo com depressão. Com frequência você tem crises de choro. Sente-se muito cansado, com muito sono e vontade de ficar na cama. A forma de ver o mundo e a vida é totalmente negativa, por vezes a pessoa sente vontade de desistir da vida.

                Estes sintomas não aparecem todos de uma só vez, a depressão vai chegando devagar e aos poucos tomando conta de você, gradativamente os sintomas vão aumentando de frequência e intensidade, o que pode ocasionar uma dificuldade na identificação do quadro depressivo. De início pode ser apenas uma crise de choro, um cansaço aqui, uma dificuldade para tomar uma decisão lá, mas a medida que o tempo passa, essas sensações tendem a se intensificar, e então os familiares e amigos já começam a perceber que tem algo errado, pois você está diferente, já não é mais uma pessoa participativa, muitas vezes está muito irritada, desanimada, está cronicamente infeliz e tantos outros sintomas e manifestações que a depressão pode tomar. Além dos já citados, ao invés de excesso de sono, pode-se apresentar também dificuldades para dormir/insônia, falta de interesse no relacionamento conjugal, falta ou excesso de apetite, em geral todos associados ao humor deprimido.

                O Transtorno depressivo maior, como é nomeado tecnicamente, apresenta grande impacto na vida do paciente, dos seus familiares, com interferência nos relacionamentos interpessoais de maneira geral, em suas atividades cotidianas e funcionamento psicossocial. Em recentes pesquisas, foi classificado como o quarto transtorno dentre os psicológicos e físicos, com curso crônico e associado a diversas incapacitações.

                É comum a família não saber lidar com a pessoa deprimida, visto que não existe uma causa aparente para a doença, e as emoções que a pessoa expressa de tristeza, pessimismo e desânimo são tão intensas, que os familiares ficam sem saber o que fazer. Muitos acabam julgando negativamente os deprimidos como “isso é preguiça” ou “frescura” , pode até mesmo haver cobranças para que a pessoa se anime, reaja, distraia-se ou divirta-se, para superar seus sentimentos negativos. Porém tudo isso faz mais mal do que bem. O maior bem que um familiar pode fazer a pessoa deprimida é ajudá-la a buscar tratamento..

                A depressão não é uma escolha de vida, ela acontece. Por isso, compreensão, carinho e paciência, é o apoio emocional que a pessoa deprimida necessita, mostrando que ela não está sozinha e abrindo espaço para que possa falar acerca de seus sentimentos. Tentar convencer de que aquilo que ele sente “é coisa da sua cabeça”, pois “tudo vai tão bem em sua vida” só irá piorar o estado do depressivo, que ainda sentirá culpa por não conseguir melhorar. Diante disso, torna-se de suma importância recorrer a tratamentos especializados. Porém, devido a forma como a depressão se apresenta, diante de tantas dificuldades que o indivíduo enxerga, muito difícil será que sozinho ele busque algum tipo de ajuda, uma vez que não possui energia para tal. Neste momento é fundamental a presença e acompanhamento da família no encorajamento ao tratamento.