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É “somente” psicológico

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Como é dolorido ouvir, tanto no consultório, como no cotidiano, por quantas vezes  “ah, fiz uns exames, mas não deu nada, é “só” psicológico.  A mesma frase sem o “somente”, seria perfeita, pois “é psicológico” , quer dizer que existe algo de ordem emocional que não está bem, que precisa ser avaliado, cuidado e tratado. Porém o “só” desqualifica e negligencia totalmente esta perspectiva, que é tão importante e significativa quanto o bem estar e a saúde física.

Embora me incomode, entendo, que de fato, somos frutos de uma evolução histórica que muito pouco sabe sobre as emoções. Não fomos ensinados, educados a sequer reconhecer nossas emoções, tampouco a  saber o que fazer com elas. Se a pressão sobe, procuramos um médico, se a cabeça dói, procuramos tratamento. Para as dores e feridas do corpo procuramos atendimento adequado. Mas se a tristeza persiste, se o relacionamento vai de mal a pior, se a insônia não te abandona, pensamos que “é assim mesmo” “vai melhorar”. Além disso, pedir ajuda, mesmo que profissional, para algumas pessoas, pode se tratar de uma tarefa bem difícil.

Em muitas situações percebemos o quanto minimizamos mal-estares emocionais, nos acostumando e nos judiando dia-a-dia com eles. Nos desgastamos demasiadamente para dar conta de lidar com algumas situações. Com frequência, durante atendimentos na clínica, precisamos sinalizar e mostrar que aquela emoção intensa relatada, ou dada situação particular de vida, não, não é tão é pequena assim, que ela precisa ser reavaliada com a devida importância que realmente tem.  Por exemplo “tenho alguns amigos, mas evito compromissos sociais pois não me sinto bem, mas sempre fui assim, então nem ligo mais”

Sim, somos especialistas em justificativas racionais para nossas mazelas emocionais, nos protegendo dessa forma de mais sofrimento. Porém, essas dores, não deixam de estar lá e causam um impacto muito negativo na vida, na saúde emocional das pessoas.

A notícia boa, é que já vemos mudanças culturais nesse padrão. É muito satisfatório receber jovens que pedem aos pais por um atendimento psicológico. Pais de crianças muito pequenas, que se veem em dificuldade de lidar com os pequenos, e nos procuram. Recém-casados que procuram ajuda pois não se enquadram no “é assim mesmo” o casamento. Mães puérperas depressivas, que conseguem aceitar sua condição nessa fase tão delicada e solicitar tratamento.