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Eu Vejo Você

Quando fui assistir ao filme Avatar, esperava o pior, pois não sou nem um pouco apreciadora de filmes de ficção. Mas, com aquele visual fantástico, me encantei pelo filme e por seu conteúdo.
Muito sensível e linda a forma daquele povo se relacionar: “eu vejo você”, não somente a frase pura simples, mas o tom de voz e o olhar, que acompanham as palavras, revelam a intensidade da mensagem que se deseja transmitir naquele momento. Eu vejo seu interior, eu vejo suas alegrias, tristezas, suas cicatrizes, a história de vida que alimenta seu espírito, e com isso consigo perceber suas necessidades, desejos. Um povo de uma soberania emocional, que nós estamos longe de entender.

olhar
Quantas vezes nossos filhos têm comportamentos que não entendemos, estão agitados, e nós, na maioria das vezes, simplesmente os repreendemos. Será que conseguiríamos, como o povo Navi, ir mais além? Poderíamos imaginar como foi para eles o dia que passamos longe de nossas crianças? Quantas, que tipo e que intensidade de emoções vivenciaram? Tiveram momentos difíceis com os colegas, com a professora, ou quem sabe estiveram em situações que se sentiram sozinhos e não possuíam recursos ainda para conseguir resolver tais conflitos? Sentiram nossa falta talvez? Bobagens! Possivelmente podemos pensar. São somente coisas de criança! Tendemos a desqualificar em muitas ocasiões, os problemas na infância, por achar que “é só isso” para nós adultos, pois nossa perspectiva é a do alto, a perspectiva de cima da adultez que nos esfria com a distância da infância. Será que como nós adultos, muitas vezes, as crianças também podem “descontar em alguém” suas insatisfações? Sabe aquela sensação de “estava com a cabeça quente” e falei ou fiz a coisa errada por conta das emoções? E Por que será que estava com a cabeça quente? Que emoções são estas? Será que seu pequeno precisa de alguma ajuda quem sabe? Pois se até nós adultos, muitas vezes não damos conta em resolvermos nossas questões sozinhos, as crianças mais ainda. Com nossa pseudo-cegueira tendemos também a fazer deles, as nossas próprias necessidades: Se estamos com frio, colocamo-lhes uma blusa, se estamos com fome, providenciamo-lhes comida, se estamos estressados, programamos uma viajem, um passeio diferente com eles, se nos sentimos carentes, lhes damos um abraço…sem ao menos considerar qual seria a vontade da criança naquele momento.
Ficamos no atribulado dia-a-dia da rotina de trabalho e afazeres desconectados dos sentimentos dos nossos filhos. Vemos apenas o que o mundo concreto dos olhos nos mostram, o mau comportamento, a reposta indesejada, a quebra dos limites, a nota baixa, a falta ou excesso de apetite…
Eu vejo você, eu posso me abaixar na altura dos seus olhos, e tentar enxergar e sentir na mesma perspectiva que uma criança? Assim devagar, dia-a-dia, eu penso que pode ser possível, sintonizarmo-nos com nossos pequenos de forma que um olhar diferente, pode transmitir uma mensagem riquíssima aproximando as relações. Enxergar as necessidades deles, do mundo deles, do coração deles, onde um mau comportamento, pode significar um pedido de ajuda. Uma nota baixa pode apontar para a necessidade de mais atenção, uma briga na escola pode sinalizar problemas vivenciados até mesmo em casa, que a criança não sabe como lidar.

Eu vejo você…e vejo que você também tem suas necessidades e dificuldades, e, se está difícil de dar conta sozinho, procure alguma ajuda.