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Um Texto Sobre a Polidez

Já cumprimentou a moça Mariazinha? Foi o que ouvi dias atrás em uma festa quando uma criança de mais ou menos 6 anos aproximou-se da sua mãe e de mim, até então sua desconhecida. Em um olhar envergonhado, me disse apenas: – Oi! com um doce e envergonhado sorriso. Olhando de longe, cumprimentar alguém, pode parecer algo muito simples e sem grandes pretensões. Mas, de perto, para mim, fica muito claro, a intenção desta mãe, ao lembrar a filha do cumprimento. Se analisarmos, falar oi ou cumprimentar as pessoas ao entrar em um ambiente, significa, reconhecimento, algo como: estou te vendo, estou te reconhecendo, e um pouco mais próximo e humano, ainda: tudo bem?

comprimento

Poderíamos interpretar como “preocupo-me com você”. Possivelmente, outra intenção dessa mãe seja alertar Mariazinha para comportamentos de agradecimento, desculpar-se, entre outros, pois são nestes atos que também simulamos o reconhecimento às pessoas. Bem, o comportamento da menina acima, é algo externo, totalmente social, mas como podemos ensinar nossas crianças respeito, reconhecimento e outros valores, se não por meio inicialmente de instruções/regras? A diferenciação da obrigação (regra de cumprimentar) para o valor (é importante, é bom cumprimentar as pessoas) virá somente mais tarde. A polidez é o primeiro comportamento de boas maneiras que as crianças aprendem. Não há moral neste ato, a criança aprende a obedecer às regras, e logo saberá identificar entre o que é mau (o erro) e o que faz mal (o perigo). Diversos autores tem escrito sobre a polidez, e tem-se dito, que se trata de uma virtude (ou não) atualmente em desuso, por vezes desqualificada por nossos jovens. Comte-Sponville (1999) cita, que a polidez não é propriamente uma virtude, mas tem a aparência de uma. Isso, porque por si só não se basta, não basta somente parecer, ser social, é preciso que gradualmente a polidez construa o valor moral, fazendo-se desta forma, como a porta de entrada para tal. A polidez pode ser vista meramente como acordos culturais convencionados pela sociedade, mas pesquisadores consideram a habilidade da civilidade (cumprimentar pessoas, agradecer, aguardar a vez para falar, pedir licença, responder perguntar, chamar o outro pelo nome) entre outras sete, habilidades relevantes para a competência social da criança. Fiquei encantada com a cena da festa, porque realmente não se trata de algo corriqueiro ou que tenho visto com freqüência. Penso que seja muito válido investirmos nesse treino social com os pequenos. Tenho acompanhado tanto desrespeito às pessoas de tantas formas possíveis, quando vejo em notícias ou até mesmo presencio em determinadas situações, que penso na importância de em tempo, resgatá-la, a polidez.