Home » Psicologia Infantil » Palmada Educativa? Bater? O que fazer?

Palmada Educativa? Bater? O que fazer?

palmada

Trata-se de um tema recorrente, e, posso dizer, que em algum momento do processo, aparece em 99% dos atendimentos a pais de crianças em psicoterapia.
É fato que no papel de pais durante o processo de educar e ensinar os filhos nos confrontamos com os modelos que aprendemos em nossa família de origem e outros que tivemos acesso. Para muitos pais, a palmada, faz parte da educação dos seus filhos, pois, são frutos de gerações onde não haviam discussões sobre formas de educar, e vivenciaram este tipo de prática durante seu processo educativo, assim como outras práticas, como castigo, chamar atenção, entre outros.

Quando o assunto aparece, na maioria das vezes, é em forma de pergunta, o que devo fazer? Bater ou não? Você é contra ou a favor?
Penso que vale a reflexão em algumas linhas que seguirão abaixo, pois existem muitas variáveis que permeiam esse assunto que precisam ser analisadas:
Primeira: a prática do bater, não como palmada educativa, mas como manifestação do descontrole emocional das figuras parentais, trata-se de uma agressão física, não faz sentido algum, pois nunca será educativa.
Quanto à palmada educativa sempre questiono aos pais sobre suas histórias de vida. Quais foram suas experiências nesse sentido? Foram positivas? Não? O que aprendeu com a palmada? Como você no papel de pai ou mãe se sente ao aplicar a palmada no seu filho? Mal?
Alguns pais relatam experiências bastante negativas, sobre terem apanhado muito, onde julgam “não terem visto necessidade” em terem apanhado tanto, sofreram castigos físicos mais severos, ou viveram sob descontrole emocional de pais, e, dessa, forma, o bater, ficou registrado negativamente em suas vidas. E, no momento atual, no papel de pais, sentem-se muito mal em educar desta forma, pois esta prática elicia sentimentos ruins, mesmo sendo uma simples palmada educativa. Não vejo então sentido, para esses pais insistirem neste tipo de prática, pois este desconforto emocional gerado, certamente, será percebido pelo filho. Seria como usar um sapato um número maior ou menor, não encaixa no seu pé, da mesma forma, esse papel de pai ou mãe da palmada não lhe “serve” direito.
Outros relatam que vivenciaram experiências mais amenas, mais assertivas, com relação às palmadas. E, fica explicitado então, que a palmada faz sentido, funciona, nessa família, não como expressão de descontrole, mas como forma de ensinar algumas regras e limites que vêem sendo repetidas vezes quebradas pelos filhos.
Outro grupo de pais ainda, nunca vivenciaram experiências desta natureza, e, estes, carregam, ainda mais dúvidas sobre o assunto quando encontram-se em dificuldades com seus filhos. Para estes, acredito que a melhor resposta é: O que faz sentido para você enquanto pai/mãe? Este papel lhe é confortável? Que outras práticas além da palmada fazem sentido para você? Que tipo de práticas tem utilizado com seu filho? Acreditam que tenham sido persistente na mesma regra o suficiente para dar tempo da criança aprender?
E, para os dois últimos grupos de pais, insisto para reflexão: que mensagem estamos passando ou queremos passar aos nossos filhos com as palmadas? O que você realmente gostaria de ensinar para seu filho? Que ele não faça algumas coisas ou se comporte de determinada maneira em sua presença? Como será entendido por ele a relação do amor e do bater?

Será que poderíamos juntos conversar sobre outras práticas mais assertivas e que transmitam a verdadeira mensagem desejada por vocês pais?

Alerta sobre a palmada: A psicologia tem estudado este tema há varias décadas, e os resultados obtidos mostram que a palmada não é um método eficiente para eliminar um comportamento. Tende a ter um efeito temporário e mais tarde o comportamento volta a se repetir. Outro dado importante a ser considerado no efeito das palmadas nas crianças, são uma série de emoções negativas associadas: culpa e vergonha, medo do agressor, autoestima baixa, raiva contra o agressor, entre outras.