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Terapia para Traumas – EMDR

Traumas são lembranças difíceis que limitam nosso dia-a-dia. Refiro-me além dos traumas mais conhecidos como impactantes: assaltos, sequestros, mortes violentas, estupros, terremotos, mas também a todas  lembranças dolorosas que arquivamos em nossa mente, e, ocasionalmente quando acessamo-nas sentimos aquele desconforto emocional, aquela sensação de que “alguma coisa não se encaixa”. Algo como: aquela apresentação cultural da escola, em que você cometeu um erro e todos que estavam ali riram muito de você. Episódios de agressividade e tantos outros que constituem-se como farpas no coração de cada um,e que, com frequência você pode ouvir que é uma bobagem sua, e que não tem a mínima importância no presente.

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De fato, essas lembranças dolorosas, os traumas, não deveriam ter importância no momento presente, porém, nosso cérebro não sabe disso. Pois no momento em que ocorreu, nosso cérebro arquiva essa informação de uma forma totalmente disfuncional, congelando essa memória em redes neuronais que não estão associadas a recursos mentais que poderiam ajudar a armazená-la no “lugar certo”. É comum ouvirmos: “não tenho palavras para explicar direito o que aconteceu…” tudo isso por conta de que a memória localiza-se no hemisfério direito do cérebro e a linguagem no hemisfério esquerdo, não havendo de fato possibilidade de comunicação e integração dessas duas áreas.

O impacto que o trauma gera na vida das pessoas é enorme, pois o cérebro fica em hipervigilância, por conta de não saber que o perigo já passou, ficamos com altos níveis de ansiedade, na expectativa que algo ruim irá acontecer.  Com frequência, as pessoas repetem comportamentos, pois “não conseguem mudar”. Distorção de pensamentos sobre memórias dolorosas, onde o trauma armazena um sentimento de “culpa” quando efetivamente não existe, ocorrem em muitas ocasiões. Esse sentimento que ficou congelado é revivido e traz muito sofrimento para a vida das pessoas ditas traumatizadas.

A possibilidade de reprocessar e integrar adaptativamente o conteúdo dessas lembranças, é o que faz a terapia de reprocessamento – EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) .  Através de estímulos bilaterais, é possível criar novas conexões cerebrais que permitem o surgimento de novos sentimentos,  transformando lembranças traumáticas em “apenas lembranças”, sem a carga emocional pesada. Um grande diferencial e vantagem dessa terapia, é que em alguns casos, quando os traumas são de caráter humilhante, o paciente não precisa entrar em detalhes gráficos , permitindo que seja possível enfrentar a lembrança sem tanta vergonha.

Um suspiro profundo para baixo e para fora: AHHHHH, é o que ocorre no fim de uma sessão de reprocessamento. Seguido de frases como: “Acabou, ficou no passado agora.” Ou essa: “lembro, mas não me incomoda mais, é normal sentir tanto alívio em tão pouco tempo?” “Esse EMDR é mágico”.

Procurei especializar-me nessa área de atuação a partir da minha experiência pessoal. Após sentir e constatar resultados tão profundos, como psicóloga, eu precisava saber como esse recurso de fato funcionava tão bem. Concluo por fim, dizendo que o EMDR não é mágico, não trata-se de crença, é ciência. E seu resultado é incrivelmente rápido, eficaz e permanente.