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Um olhar além do desfralde

O momento do desfralde pode caracterizar-se como uma das primeiras conquistas da infância que as crianças são solicitadas a realizar, mostrando sua capacidade e habilidade em realizar algo importante para os seus pais. Ela tão pequenina já está sendo avaliada se é capaz ou não, até porque já existe também uma comparação com os pares da mesma facha etária, e afinal de contas o Joãozinho já desfraldou… É comum neste momento haver bastante ansiedade por parte dos pais para que o desfralde se efetive.

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Mas de novo! Todo molhado Leonardo! Eu já não te falei! Você já viu, os seus amigos todos já aprenderam a segurar, a usar o banheiro. Frases como essas são comuns, pois normalmente as mães e pais se cansam algumas vezes de limpar toda a sujeira que acontece nessa fase. Bem, é preciso que levemos em conta que trata-se de um novo aprendizado, e, que em todo aprendizado, existe um tempo para que este novo conhecimento se estabeleça. Você adulto tem experimentado ultimamente alguma atividade nova? Um exemplo: aprender a tocar violão quem sabe? Se disciplinar a fazer atividade física 3 vezes na semana, um verdadeiro desafio não acha? Pois é, para eles também, precisam de um tempo para que o controle esfincteriano se estabeleça. Além do aprendizado em si, outras questões também estão envolvidas: usar o banheiro precisa fazer sentido para criança, precisa ser entendido este ato por ela, e precisa ser desejado. Para muitos, é mais difícil o processo, pois por mais insistência e dedicação dos pais nas inúmeras tentativas, não existe ainda o desejo por parte da criança em usar o banheiro. Ou seja, para ele/ela fazer suas necessidades fisiológicas no banheiro não tem um sentido.

Olho para o processo de desfralde, como uma oportunidade de construir relações. Relações baseadas no respeito, apoio e confiança. Apoiar a criança nos “escapes”, sinaliza a eles que você entende que é um aprendizado e sim! você confia nele e sabe que irá conseguir, é preciso ter persistência e tentar mais e mais vezes. Apoiar uma criança mediante seu erro (como é visto pelos adultos o ato de não conseguir ainda segurar) pode transmitir uma linda mensagem de acolhimento e amor, ela sentir-se-á amada apesar do seu erro e irá registrar a sensação que também pode confiar em você. Penso, que quanto mais acolhida a criança sinta-se nesse processo, no futuro mais conseguirá acolher-se em momentos difíceis, de dificuldades, desenvolvendo seus próprios recursos internos que precisamos muitas vezes ter no mundo adulto quando nos sentimos sozinhos em determinadas situações.